O parcelamento de compras é um hábito consolidado entre os brasileiros, mas a falta de controle financeiro tem levado muitos ao endividamento. Uma pesquisa da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) revela que 52% dos consumidores que possuem compras parceladas não fazem nenhum tipo de controle sobre suas prestações. Para a Câmara de Dirigentes Lojistas de Petrópolis, associada à CNDL, a falta de planejamento financeiro que levou 33% desses consumidores a terem crédito negativado nos últimos 12 meses por atrasos em parcelamentos, é grave.


Segundo o levantamento, cerca de 69 milhões de consumidores tinham parcelas a pagar em janeiro de 2025, utilizando modalidades como cartão de crédito, cartão de loja, crediário e cheque pré-datado. Em média, cada entrevistado possuía 4,6 compras parceladas no cartão de crédito, uma prestação a menos do que em 2023.


O cartão de crédito segue como o meio preferido para parcelar compras (69%), seguido pelo PIX parcelado (10%), crediário (5%) e cartão de loja (5%). No entanto, o acesso fácil ao crédito também tem impulsionado compras por impulso: 65% dos entrevistados admitiram ter adquirido produtos sem planejamento, principalmente vestuário (23%), supermercado (19%) e cosméticos (17%).


A falta de planejamento financeiro é um fator preocupante. Entre os consumidores que evitaram novas compras a prazo nos três meses anteriores à pesquisa, 47% já tinham muitas contas a pagar, 44% temiam perder o controle das finanças e 21% estavam inadimplentes. "O parcelamento pode ser uma ferramenta útil, desde que seja usado com responsabilidade. O problema é quando o consumidor se perde nas prestações e acaba comprometendo sua renda sem perceber", alerta Claudio Mohammad, presidente da CDL.


A pesquisa também indica que 33% dos entrevistados já ficaram com o nome sujo devido a atrasos no pagamento de compras parceladas nos últimos 12 meses, sendo o cartão de crédito (18%) e os empréstimos (8%) os principais responsáveis pela inadimplência. A perda de renda (18%), a necessidade de cortar gastos para pagar dívidas (14%) e a falta de dinheiro disponível (11%) são os principais desafios apontados pelos consumidores para quitar os débitos em atraso.


Outro fator que influencia o endividamento é o aumento do limite de crédito sem planejamento. Nos seis meses anteriores à pesquisa, 81% dos entrevistados receberam ofertas de empréstimos pré-aprovados, 43% tiveram proposta de aumento no limite do cartão de crédito e 23% no cheque especial. "O consumidor precisa avaliar com cautela antes de aceitar uma oferta de crédito. O excesso de dívidas impacta não apenas o indivíduo, mas também a economia, pois reduz o poder de compra e pode comprometer o desenvolvimento do comércio", destaca Mohammad.


Apesar dos riscos, a pesquisa mostra que 76% dos consumidores afirmam ter consciência sobre o quanto do orçamento está comprometido com o pagamento de prestações. No entanto, 34% deles já comprometem metade da renda mensal com dívidas, um cenário que pode levar ao superendividamento se não houver planejamento adequado.


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